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15 de abril 2018

Resultado na mineração ajuda Votorantim a reverter prejuízo de 2017

O grupo Votorantim registrou um lucro líquido de R$ 810 milhões em 2017, resultado que supera o prejuízo de R$ 1,3 bilhão no ano anterior. A melhora no desempenho do grupo está ligado, principalmente, a alta nos metais não ferrosos com que a Nexa Resources, ex-Votorantim Metais, atua.  Em 2016, a Votorantim fez uma baixa contábil de ativos de R$ 1,8 bilhão aplicada no negócio de aços longos no Brasil, colocado à venda, e devido a suspensão das operações de níquel. O resultado de 2017, por sua vez, foi beneficiado pela alta nos preços de zinco, que subiu 38% no ano; de cobre, com 27%; chumbo, com alta de 24%; e alumínio, com elevação de 23%. Também pesou positivamente o aumento de volume e maiores preços na venda de energia no mercado elétrico do país. O ganho da companhia também teve contribuição do maior lucro líquido proveniente das empresas reconhecidas por equivalência patrimonial, que somou R$ 1,2 bilhão. A maior fatia, R$ 414 milhões, veio da Citrosuco, seguida pela Fibria, de celulose, com R$ 3,2 milhões, e do Banco Votorantim, R$ 315 milhões. A divisão de cimento, principal negócio individual do grupo, foi a grande exceção, principalmente nas operações do Brasil, onde o mercado, após três anos de quedas sucessivas, volta a dar sinais de reação em 2018. Além da elevada ociosidade, o setor enfrenta uma depressão histórica nos preços do produto.

A receita líquida do grupo Votorantim, que engloba as operações de cimento, zinco e polimetálicos, alumínio, aço longo na Argentina e Colômbia e energia, registrou alta de 5% em relação a 2016 e alcançou R$ 27,2 milhões. O decréscimo de 7% na receita líquida da Votorantim Cimentos, para 11,1 bilhões, foi compensado pelo aumento de 25% na Nexa Resources, que atingiu US$ 2,5 bilhões, aproximadamente R$ 8 bilhões, e de 8% na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que atingiu R$ 4,6 bilhões. A área de energia, o faturamento líquido totalizou R$ 4,1 bilhões. O negócio de aço longo, após a fusão da Votorantim Siderurgia com a ArcelorMittal no Brasil, passou a ser reportado somente com as operações de Argentina e Colômbia. As operações dos dois países somaram R$ 1,7 bilhão, 6% superior à de 2016. No resultado operacional, medido por lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a companhia obteve aumento de 12%, para R$ 4,8 bilhões. A margem subiu um ponto percentual em relação ao ano anterior, para 17%. A companhia contou com a entrada de caixa da oferta pública de ações (IPO) em Nova York da empresa de mineração e metalurgia de zinco e outros metais Nexa e da venda de ativos de cimento no Chile, Estados Unidos e China. Com isso, aliada à melhor geração de caixa, a Votorantim reduziu seu endividamento e a alavancagem financeira caiu a um patamar bastante confortável. A relação da dívida líquida sobre Ebitda foi a 2,6 vezes, comparada com 3,46 vezes no fim de 2016. A dívida bruta fechou o ano em R$ 24,6 bilhões e a tendência é de mais redução ao longo deste ano.

"O Brasil passou por um ano turbulento. Nesse período, mantivemos nossos investimentos, foco em nossos clientes e em nossas operações e, no que diz respeito às finanças, fomos disciplinados", disse João Miranda, presidente do grupo Votorantim, em comunicado. O executivo falou sobre decisões importantes no ano o acordo com um fundo de pensão do Canadá para investimento no negócio de geração de energia eólica e o IPO da Nexa. Já neste ano, Miranda aponta a aprovação do Cade da fusão do negócio de aço e o acordo de união da Fibria com a Suzano Papel e Celulose. Desconsiderando o efeito das baixas contábeis, a Votorantim S.A. informa que seu lucro líquido teria subido aproximadamente 15% em 2017.

Mineração

A Nexa Resources, ex-Votorantim Metais, apresentou lucro de R$ 542 milhões, mais que o dobro dos R$ 250 milhões de 2016. O resultado foi reforçado pela alta de preços dos principais produtos com os quais a empresa trabalha, entre eles o zinco e o cobre. A receita líquida aumentou em 23%, para R$ 7,83 bilhões, e as despesas operacionais foram cortadas em 12%, para R$ 1,34 bilhão. Outra fabricante de metais e seus produtos, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), também observou melhora em suas operações. O negócio, muito impactado em anos anteriores pelo fraco mercado brasileiro, mas também pela parada na produção de níquel, demonstrou lucro de R$ 517 milhões, ante perdas de R$ 217 milhões em 2016. A receita líquida cresceu 8%, para R$ 4,67 bilhões, mesmo ritmo de aumento dos custos, que chegaram a R$ 3,97 bilhões. As despesas com vendas, gerais e administrativas ficaram estáveis, em R$ 279 milhões. "A CBA fechou espaços com maior custo, ajustou seus quadros à nova realidade do mercado e passou a especializar mais na ponta final da cadeia", diz Miranda. "Passamos a companhia a limpo. Ela está modernizada", declara.

Investimentos

Após um ciclo de investimentos para expansão dos negócios, a Votorantim inicia neste ano a desaceleração dos desembolsos de capital para o menor nível em quatro anos, afirmou ao Valor Sérgio Malacrida, diretor financeiro da holding. O orçamento previsto para 2018 é de R$ 2,4 bilhões, queda de 22% sobre o ano passado. Os principais projetos a serem completados neste ano são a adição de capacidade na unidade de cimentos de Charlevoix, no Estado americano de Michigan; a extensão da vida útil da mina de zinco em Vazante (MG); e uma aplicação residual de recursos no complexo eólico Ventos do Piauí, em Curral Novo do Piauí. O restante será usado como "capex" de manutenção, que em 2017 foi de R$ 1,55 bilhão O grupo está em vias de terminar uma série de investimentos para modernizar capacidade produtiva ou expandir os negócios em praticamente todas as áreas nas quais atua, somando quase R$ 12 bilhões só nos últimos quatro anos, com um pico de R$ 3,3 bilhões em 2015. Mesmo com esse montante relevante de desembolsos, porém, a Votorantim tem demonstrado alto nível de fluxo de caixa livre. O índice mede a geração operacional e desconta investimentos, capital de giro, dividendos e efeitos do câmbio. Em 2017, o fluxo foi positivo em R$ 2,85 bilhões. Os dividendos neste ano também deverão aumentar, adianta Malacrida. A expectativa é pagar à família Ermírio de Moraes, controladora do negócio, R$ 760 milhões, relativo ao exercício de 2017, ante R$ 120 milhões em 2016. Em 2015, não houve pagamento. O balanço mostra também que foram pagos R$ 359 milhões no ano passado e R$ 105 milhões no ano anterior, considerando todos os acionistas minoritários dos negócios que não são controlados integralmente pela família. A maior distribuição só é possível porque as métricas de crédito estão em tendência de queda, acrescenta o executivo.

Fonte: Notícias de Mineração